quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

IDEIAS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO & FUTURO ANCESTRAL - de AILTON KRENAK

 

As sensações que tive ao ler IDEIAS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO foi a de "abraçar a perspectiva do autor" que critica o conceito de humanidade vigente, aonde o homem se percebe como algo separado da natureza, além de nos provocar a respeito dos "ambientes artificiais" que estamos reservando para as futuras gerações viverem como se fossem uma lembrança do que existiu na terra. O autor ainda nos provoca se é esse o ambiente que as futuras gerações gostariam de habitar. Para krenak, devemos deixar um rio intacto para as sete gerações futuras, mas "usamos o rio para joga-lo fora depois", pois nos entendemos como algo separado dele.

Nessa obra, o autor ainda menciona que o conceito de humanidade está fadado ao fracasso, porque o homem é uno com a natureza, mas se percebe como algo distante dela, como se o meio ambiente fosse algo separado de nós, como se fosse uma disciplina acadêmica. 

Krenak ainda afirma que não somos os únicos seres a ter uma personalidade própria ou um estilo de vida, pois até uma pedra ou um rio que é um ancestral nosso, e segundo o autor ele é nosso avô, pois está aqui bem antes de nós, têm personalidade própria. 


Já a obra FUTURO ANCESTRAL, nos traz uma perspectiva muito interessante sobre os rios que estão aqui antes de nós, são nossos ancestrais e são vivos, mas estão sendo destruídos para construção de hidrelétricas e barragens que mudam o curso natural deles para que se estabeleçam as cidades.

O autor também nos provoca várias reflexões sobre as cidades, que são construídas segundo a lógica do capitalismo, pois se mantém pelo padrão vigente do sanitarismo urbano e extermina tudo aquilo que não é considerado limpo, "o ideal é comprar uma batata limpa no supermercado", pois a terra representa sujeira, "quando foi que a terra virou sujeira?", questiona o Krenak nessa obra.

Além disso, o capitalismo e as cidades de acordo com o autor, se mantém pela lógica da pobreza, pois tira-se o homem do campo ou o indígena do seu habitat natural, que os permitia pescar, plantar e caçar livremente e os colocam em periferias ou ambientes subalternizados com restrições alimentares e outros acessos limitados.

A obra também nos faz refletir sobre a educação formal que formata a criança, ao invés de deixá-la com o pensamento livre para criar novas perspectivas. Segundo Krenak nascemos prontos, com a nossa própria identidade, mas somos moldados pela educação formal, e o " mistério indígena, que passa de geração em geração é colocar o coração das crianças no ritmo da terra".

Recomendo a leitura de ambas as obras para descolonizar o pensamento!
Por Thaís Alessandra

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Das Cinzas da Senzala, O Levante.

Percepções pessoais e sensações sobre a obra de Adriana Santana, "Das Cinzas da Senzala, O Levante":


O romance Úrsula de Maria Firmina dos Reis foi o primeiro romance a me afetar dentro dessa temática, pois trazia a óptica dessa autora que viveu no século XIX e deu voz as dores dos negros escravizados por meio da sua obra, em uma época em que eles não tinham voz.  Maria Firmina dos Reis me fez sentir, mais do que compreender, sentir as  próprias vivências de desumanização que essas pessoas tragas a força da África para o Brasil viveram ao serem escravizadas em terras "além mar", mas segundo o "olhar deles" e não como foi contado para nós através da história. 


Em analogia a esse grande romance do século XIX, apresento a obra "Das Cinzas da Senzala, O Levante", romance premiado em 1o. Lugar - Prêmio Maria Firmina de Literatura - Novos Autores 2021, que a meu ver também (des)silencia aqueles que não tinham voz naquela época. Além disso, todos os elementos da cultura afro-brasileira que foram descritos nessa obra foram relatados com tanta maestria, quase que de forma poética, emocionando "a leitora que se questiona se aconteceu mesmo o que está sendo narrado na obra". 

 
Do início ao fim, a gente sente o levante acontecer, e a esperteza da guerreira Njinga, do Pai João e de todos os negros da senzala que usavam a língua nativa para se protegerem, pois só eles entendiam aquela língua que os brancos da Casa Grande não compreendiam, e como eles eram constantemente vigiados, a língua era uma forma de comunicação para eles seguirem rumo a liberdade sem serem percebidos.

Impressiona-me nessa obra a ligação da menina guerreira Njinga com o Pai João, que ultrapassa a morte, pois ele sempre a guiava e aparecia para ela em diversos momentos. A espiritualidade aparece na obra quase que como um outro personagem, sendo temida pelos da Casa Grande, que tinham muito medo desse lado dos negros escravizados, sendo atribuída por eles como feitiçaria. Mas, ela era também uma forma de proteção, em diversos sentidos, e por causa desse medo dos brancos, o Pai João foi ouvido pelo Jerônimo, personagem que confesso ter tomado ódio no decorrer da obra, "ôh, sinhozim odioso!".

A ginga, a língua, os negros da terra, a espiritualidade, a lua que separava o tempo para que o levante acontecesse; o assobio que conduzia a Njinga a mata, direcionando a menina em direção aquele som até encontrar a sua mãe; e os cânticos introduzidos quando algum personagem negro "atravessava o rio (morria)", tudo tem poesia nessa obra.

Além da obra inteira, dois trechos me marcaram bastante: quando Njinga tem que raspar as suas tranças, que traziam memórias do Pai João que ao trança-la contava histórias. Mas, a trança foi raspada para que ela fosse marcada como escrava do Jerônimo. O segundo trecho, foi quando a menina nasce e a mãe Benedita manda que ela beba o leite rápido porque iria ser dado a menina branca, o que imagino ter sido muito difícil para a maioria das mães pretas daquela época.

Contaram para Njinga que sua mãe Benedita foi morta no tronco, e a garota retoma o contato após voltar para a Casa Grande e descobre que sua mãe estava viva na mata junto aos negros da terra, pois teve que se esconder por lá durante anos para sobreviver.

O final nos surpreende ainda mais, leiam a obra e descubram quando o canto da liberdade foi entoado entre os negros da senzala.


Resenha feita pelas sensações vivenciadas por mim enquanto leitora dessa obra.

Thaís Alessandra




domingo, 22 de outubro de 2023

Quarto de Despejo: diário de uma favelada/Carolina Maria de Jesus

 OBRA:

Quarto de Despejo: diário de uma favelada/Carolina Maria de Jesus; ilustrações de No Martins. -- 1ed. -- São Paulo: Átila, 2020. 264 p. Edição comemorativa.


PERCEPÇÕES PESSOAIS SOBRE ESSA OBRA:

O que me impressiona aqui é a fome como protagonista da sua obra, e a saúde mental afetada por essa "protagonista que rouba a cena sem ser convidada". Por diversas vezes, a autora menciona que tinha vontade de suicidar-se e viu diversos favelados passarem por esse desfecho:



"Ela disse-me que já está com nojo da vida.  Que não vê a hora de morrer.

Ouvi seus lamentos em silêncio e disse-lhe:

- Nós já estamos predestinadas a morrermos de fome!". PG 132

Já a autora padece desse mesmo mal:

"(...) Hoje acordei não temos nada pra comer. Queria convidar os filhos para suicidar-nos. Desisti. Olhei meus filhos e fiquei com dó.  Eles estão cheios de vida. Quem vive, precisa comer. Fiquei nervosa, pensando: será que Deus esqueceu-me? Será que ele ficou de mal comigo?". PG 161

(...)



Essa obra a meu ver é atemporal, e nos convida a refletir sobre a miséria e como ela afeta a saúde mental dos que estão à margem ainda nos dias atuais. ..


A autora em alguns trechos da obra se deprime e em "outros ela canta", canta principalmente quando a sua panela fica cheia e pode em raros momentos "matar à fome" dos seus filhos.


A minha impressão como escritora e artista múltipla é que Carolina de Jesus só não enlouqueceu ou morreu de fome porque "a escrita a alimentava".

FICA A REFLEXÃO:

Será que o Brasil se preparou mesmo para "libertar os seus escravos" ou apenas incutiu-lhes condições semelhantes após a abolição?

Como vamos acabar com a violência, se os que estão à margem vivem miseráveis, e irritados devido aos efeitos colaterais da fome.

Será que o Estado cuida da saúde mental dos (in)visíveis sociais, e quer mesmo os guardar e os proteger enquanto cidadãos de direitos?


Poderia expor diversas afetações pessoais sobre essa obra, entre elas:
 "ter uma ideia fixa sobre a fome, talvez seja a maior forma de nos matar", pois falar e pensar somente sobre isso tirou o tempo precioso da autora com os seus filhos e com a sua própria literatura.


A favela também escreve!

Sigo apaixonada pela literatura!


Indicação de 📚 leitura

QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA, de Carolina Maria de Jesus #carolinadejesus 


Provocações:

Será que temos que ter o melhor português e estarmos vinculados a uma instituição acadêmica para sermos intelectuais?

Será que o conhecimento acadêmico é melhor que a sabedoria popular? 

Por que uma obra best seller foi considerada durante anos como uma literatura inferior?


"Eu disse para a Dona Maria que ia para a televisão.  Que estava tão nervosa e apreensiva. As pessoas que estavam no bonde olhavam-me e perguntavam-me: é a senhora quem escreve?

Sou e.

- Eu ouvi falar.

Ela é a escritora vira-lata, disse a Dona Maria mãe do Diogo. Contei-lhes que um dia uma jovem bem vestida vinha na minha frente, uma senhora disse:

- Olha a escritora!

O outro ajeitou a gravata e olhou a loira. Assim que eu passei fui apresentada.

- Ela olhou-me e disse-me:

- É isto?

E olhou-me com cara de nojo. Sorri, achando graça.

Os passageiros sorriram. E repetiam. Escritora vira-lata" (PERPÉTUA, 2000, p. 332).


Fica a dica de leitura! 📚 

Por Thaís Alessandra/@thais.alessandra_

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

CULPA


 

Sinto algo estranho, porque não é meu!

Parece que abriram o meu peito e rasgaram à força.

 

Tentaram colocar em meu peito o sentimento de ser diferente, 

uma agonia por SER mulher e não SER mãe,

uma agonia por SER mulher e parir obras de arte ao invés de parir filhos.

 

Tentaram me roubar o sorriso! E, por alguns momentos o travei, pois sentia culpa de SER alegre.

Tentaram retirar as MINHAS EMOÇÕES e em troca colocar emoções alheias.

 

E, por algum momento, SENTI.

Senti que à minha idade,

 a minha cor, 

o meu corpo, ERAM ERRADOS.

 

E a culpa por SER QUEM EU SOU 

chegou rasgando profundo e caindo em forma de lágrimas.

CAÍRAM TÃO PROFUNDAS AS LÁGRIMAS, até que a própria culpa caiu.

Foi como se as lágrimas, de tantas dores, lavassem aquele sentimento que me cortava por dentro. 

 

Acordei a tempo de saber que aquela dor, nunca foi minha. 

Mas, durante anos carreguei esse fardo que não era meu. Pois, sempre fui livre!


Culpa por não casar,

Culpa por não gerar,

Culpa por não ter o cabelo liso,

Culpa por não ter o corpo perfeito,

Culpa por não aceitar que me tratem de qualquer jeito,

Culpa por não saber se gosto só de homens,

Culpa por envelhecer,

Culpa...

Culpa...

Culpa...

Seu antídoto, o autoconhecimento, para separar aquilo que não pertence a mim. 



 

  Poesia autoral de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)  

                        CULPA (2022) - Publicada na Coletânea O LIVRO DAS MARIAS IV: FEMININO VESTIDO DE FÉ.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Lançamento do livro: AIYRA E O RIO


LIVRO: Aiyra e o Rio
AUTORA: Thaís Alessandra (@thais.alessandra_)

Ilustrações de Priscyla Abreu
Editora: Revista África e Africanidades

PEQUENAS SENSAÇÕES DE CADA CAPÍTULO 📖
SINOPSE DO LIVRO📖

"Aiyra e o Rio, um conto de narrativa infantojuvenil, destinado a reflexões para a família, inspirado em uma palestra que pude presenciar em 2019, na 14ª CINEOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto) que aconteceu na cidade de Ouro Preto/MG, com a temática direcionada à territorialidade e às tradições orais, na qual uma historiadora e mulher indígena relatava que as mulheres indígenas no Brasil também são afro-indígenas e não possuem somente cabelos lisos como expõem os livros de história, porque os indígenas brasileiros da atualidade também têm cabelos crespos e pele preta.

Baseado em uma história de ficção e alguns elementos da realidade, o conto Aiyra e o Rio traz consigo um meio de dar visibilidade aos povos originários. E, além da inspiração mencionada anteriormente, por meio de pesquisas foram utilizados nomes reais para as personagens indígenas, que na narrativa estão localizadas no estado do Amazonas, mas o Rio Uaçá realmente existe e fica situado no norte do estado do Amapá, e a nação indígena Zo'é também existe e fica no norte do Pará. Além disso, os ritos apresentados em cada capítulo de Aiyra e o Rio, foram pesquisados em fontes científicas e aleatoriamente inseridos nessa obra, sem a pretensão de assertividade em relação aos costumes de “Zo’é”, porque a maioria das histórias contadas nessa obra sobre os costumes desses povos são fictícias na intenção apenas de trazer maior visibilidade aos povos originários , demonstrar respeito a essa cultura e no intuito de “acordar o leitor, desde cedo", para a importância dessa causa. Já a Oração ao Espírito do Fogo (Para livrar o Xamã das influências negativas) está disponível em vários sites da internet.

Dividido em dois capítulos: “O Silêncio Barulhento de Uaçá” e “A Maratona do Tempo”, Aiyra e o Rio é contado de forma feminista e decolonial, ou seja, na perspectiva da própria protagonista e personagem afro-indígena Aiyra, que conta a sua própria história e se apropria dela do início ao fim. Se apropria apesar de toda a influência e da tecnologia do “homem branco” que chegou até nós, desde a época dos colonizadores que invadiram o Brasil com a chegada das grandes navegações.

O primeiro capítulo, “O Silêncio Barulhento de Uaçá”, é marcado pela amizade entre a Aiyra e o rio Uaçá, quando ela é ensinada a ouvir o silêncio desse rio pelo seu pai, grande pescador indígena, que disse: “O silêncio é muito barulhento, aprenda a ouvi-lo”. E, a partir daí, sempre que possível, Aiyra pedia ao seu pai para levá-la em suas pescarias só para escutar o silêncio de Uaçá. Era a brincadeira preferida dela desde os cinco anos de idade quando ela aprendeu a escutar o silêncio através desse rio e, desde então, se tornou a melhor amiga de Uaçá. Eram tão íntimos que só de vê-lo ela sentia se ele estava bravo, manso ou arredio.

Ainda no primeiro capítulo: Aiyra aprende que todos nós somos parte da natureza, e que ela é a nossa amiga; aprendeu também sobre os costumes das mulheres da sua nação indígena Zo’é, sobre a sabedoria ancestral e os ensinamentos do Cacique Ajuricaba, homem mais velho e por isso o mais respeitado da sua nação.
Aiyra também teve que aprender a lidar com algumas decepções e com uma dor até então desconhecida, o racismo estrutural, que aos oito anos de idade roubou um pedaço de sua infância; uma vez que na vida teremos uma única oportunidade para sermos crianças, e, como adultos, teremos o resto da nossa existência. Além disso, o racismo que ela sofreu também abriu uma grande ferida em seu
Coração. Isso a fez questionar: - “por que não posso ser quem eu sou neste mundo?”

Após essa sua longa reflexão, ela também fez mais um grande amigo, o Arthur, que compartilha a sua maior dor com ela: a discriminação que ele e a sua família sofrem por terem uma mãe com diagnóstico bipolar. Segundo o Arthur, eles nem sequer eram convidados para as festas que aconteciam entre os seus familiares mais próximos por medo do surto. E, ao ouvir aquilo, Aiyra acolhe o amigo e diz que ser bipolar é só um detalhe, pois a mãe dele é incrível, como ele mesmo disse, e que as pessoas deveriam amar uns aos outros, apesar das diferenças, porque feio é o preconceito social que faz ele sofrer bem mais do que o próprio diagnóstico de sua mãe.

No segundo capítulo, “A Maratona do Tempo”, no subcapítulo “O tempo não parava de passar...” O irmão de Aiyra, Cauê, chega ao mundo nas mãos da parteira mais experiente de toda a “Zo’é”, a mesma que colocou a mãe dele, Anahi, neste mundo, Aiyra e todas as mulheres da aldeia, a dona Iracema.
“Quatro anos se passaram...” Aiyra, agora aos doze anos, decide construir uma canoa para si, porque ela só queria se juntar ao seu amigo Uaçá para se aventurar. Será que era apenas uma rebeldia de adolescente? As pessoas se perguntavam. O que será que aconteceu depois disso?

Leia essa história até o final e descubra, você irá se surpreender!

ADQUIRA O SEU EXEMPLAR COM A AUTORA:

THAÍS ALESSANDRA
(31) 97169-2376/ @thais.alessandra_






quinta-feira, 22 de setembro de 2022

ÁGUAS QUE TRANSPIRAM DOS NOSSOS CORPOS ANCESTRAIS

 Poesia autoral de THAIS ALESSANDRA (IG @thais.alessandra_)

Coletânea Mulheres das Águas II. Organização de Nágila Oliveira dos Santos da Revista África e Africanidades

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As águas de Gaia, minha mãe terra,  correm dentro de nós,  descem do céu para limpar a terra, em todos os cantos.
E, (pre)enchem os nossos rios para nós. As águas de Gaia, enchem os oceanos  e também percorrem por nossos corpos ancestrais,  denunciando abusos que traficaram navios negreiros da África para nós, denunciando abusos ao transpirarem dos nossos corpos ancestrais, denunciando abusos que também saíram das bacias do rio Negro e Xingu, devastando a crença indígena, os ensinamentos dos mais velhos e ancestrais,  denunciando abusos dos garimpos ilegais, trazendo resíduos do mercúrio para nós. As águas que percorrem em nossos corpos são ancestrais!  Essas águas resistiram ao tempo, e atravessaram mares e rios de dores em nós. Essas águas escorreram de nossos poros, encheram os nossos olhos e denunciaram a marca de onde viemos, delataram a nossa identidade e foram aprisionadas pelos nossos colonizadores. E, por mais que se tente fluir como as correntezas de um rio, essas águas não conseguem sair com liberdade.   Águas que dão vida a nossos corpos ancestrais!







sábado, 13 de agosto de 2022

PALAVRA (PER)FORMADA: ESCRITA CRIATIVA QUE ATRAVESSA O CORPO (curso on-line/EAD)

 


Vagas limitadas!

Começaremos dia 20 de agosto.

Certificado pela Revista África e Africanidades @africaeafricanidades
Matricule-se!

- LINK PARA MATRÍCULA -

Matrícula a preço promocional de R$ 60,00- até dia 18 de agosto.
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Esse curso está saindo a metade do valor, somente esse mês!!!! 
Imperdível!!!
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O curso é todo online, distribuídas em dois (2) módulos teóricos de videoaulas gravadas, mais um módulo de dinâmica ao vivo de (1) uma hora, previamente agendada entre os participantes do curso, totalizando a carga horária de 3h28minutos.


quinta-feira, 3 de junho de 2021

AS VEZES ACHO QUE SOU ARTISTA


 

 Poesia autoral e audiovisual de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)  
                        AS VEZES ACHO QUE SOU ARTISTA (2021)


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quarta-feira, 2 de junho de 2021

A SUA IDEIA FIXA


  Poesia autoral e audiovisual de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)  
                        A  SUA IDEIA FIXA (2021)



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De repente

 

DE REPENTE, VOCÊ SUMIU... SUmiu... SUmiuuuuuuuuuuu...

DE REPENTE, O TEMPO JÁ NÃO ERA MAIS O MESMO,

AS HORAS NÃO PASSAVAM DA MESMA FORMA.

 

DE REPENTE, FUI FICANDO SÓ,

PERCEBENDO QUE O SENTIDO JÁ ERA OUTRO...

DE REPENTE... DE REPENTE... DE REPENTE...

DE REPENTE, O SENTIDO DA VIDA FOI FICANDO ABREVIADO.

 

DE REPENTE, A FORTALEZA FOI QUEBRADA, E A FORÇA JÁ NÃO PARTIRIA MAIS DE VOCÊ, 

                           MAS, TERIA QUE VIR DE DENTRO DE MIM.

 

DE REPENTE, ME VI SENDO MÃE, GERANDO MEU PRÓPRIO PAI,

GERANDO CADA PASSO DE SUA DOR, DO SEU AMOR E RETRIBUINDO CADA CUIDADO.

LÁGRIMAS NEGRAS CAEM, SAEM, DOEM.


                                                                        Poesia autoral de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)  
                         Poesia De Repente (2020)

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sábado, 20 de março de 2021

CARA a CARA

 Às vezes , quase sempre! 

Sinto falta do meu reflexo interior, 

de deparar-me com toda a força do meu EU, cara a cara.


Cadê aquela mulher?

Aquela mulher que se autoconhece, 

que à todos encanta,

que tem fãs, admiradores,

 e que sabe RE(EXISTIR) apesar das dores.


Amo-te loucamente mulher! 

Amo SER você!

Amo sentir você em minhas entranhas,

acariciar os seus talentos e SER o seu grande amor, o meu próprio amor.


Amo-te! 

Volta mulher! 

Empodera o meu SER. 

Toma o meu SER, 

e entorpeça-me de ti, pois você é a minha melhor versão de mim.


Reflexo do meu EU.

Não quero mais sabotar a sua existência em mim.

Volta!

 Prometo cuidar melhor de você. Pois, você, SOU EU.


                                        Poesia autoral de Thais Alessandra  @thais.alessandra_, Cara a Cara (2021). Publicada no E-book Sinergia (2021).


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ou EU, ou você?

Ou EU, ou você!
Estive muito próxima do amor.
 Estive, mas fui aos poucos me perdendo, perdendo o MEU EU, ao ir de encontro ao seu SER. 
PRECISO Ir, para me (re)encontrar . 
Te amar me faz (des)conectar do meu próprio amor. 
Tchau! 
Preciso ir, para voltar a (re)existir.
Ou EU, ou você!
De repente, me vi nesse dilema. 


Escolher SER EU é matar você dentro de mim, 
para que o meu EU possa enfim, EXISTIR e (RE)EXISTIR.

Pois, você não me ama, porque nunca se atreveu a me conhecer e  desconsidera as minhas lutas, os meus dramas, quem Eu sou! 
Quem eu sou?

Tchau! 
Preciso ir. Com você, não consigo ser EU.
Sinto que você ama o meu amor por você, mas não ama quem sou. 
Não ama me amar. Por quê?
Quem ama da espaço para o outro SER.
Te amo ! 
Mas, o meu amor por mim, também enche, (pre)enche o meu SER. 

Tchau!


Poesia autoral de Thais Alessandra (2021) @thais.alessandra_. Ou EU, ou você? (2021), poema publicado no E-Book Sinergia (2020)


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sábado, 30 de janeiro de 2021

Desordem ou retrocesso?

 





                                                                                                    Poesia autoral de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)

Poesia Desordem ou Retrocesso (2018) selecionada
para a obra Escrituras Negras  II - As Marcas (2021)


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Efeitos colaterais da Pandemia (2020)



                              Verso poético autoral de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)


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Ar?


Preso a uma gaiola e tendo o dom de voar.

Desaguando em um oceano e cheio de plásticos a me sufocar.

Implorando pela vida, mas servindo de alimento a superprodução industrial,
trancados em gaiolas, em galpões sem ventilação e só saindo para o abate,
sem poder correr, pastar, a grama verdinha cheiras, sem poder andar.
Enfim!

Tudo para te alimentar.

Cangas e mais cangas ferruginosas, serras,
montanhas desmatadas, mineradas, exploradas para o capital girar.

Ar? Eu preciso de ar.

Somo parte de um (Eco)sistema,
Eco-sistema!

Está tudo conectado.

Se falta ar para mim,
vocês também serão impactados.

Se destruírem a mim,
vocês também serão extintos.

Ecoooo...sistema superior ao capital.

Sem gente, não há economia.

(Eco)sistema.

Conectados, integrados.
Arrrrr...


AR? (2020). Vídeo, performance & poesia autoral de 
@thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)


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