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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

CULPA


 

Sinto algo estranho, porque não é meu!

Parece que abriram o meu peito e rasgaram à força.

 

Tentaram colocar em meu peito o sentimento de ser diferente, 

uma agonia por SER mulher e não SER mãe,

uma agonia por SER mulher e parir obras de arte ao invés de parir filhos.

 

Tentaram me roubar o sorriso! E, por alguns momentos o travei, pois sentia culpa de SER alegre.

Tentaram retirar as MINHAS EMOÇÕES e em troca colocar emoções alheias.

 

E, por algum momento, SENTI.

Senti que à minha idade,

 a minha cor, 

o meu corpo, ERAM ERRADOS.

 

E a culpa por SER QUEM EU SOU 

chegou rasgando profundo e caindo em forma de lágrimas.

CAÍRAM TÃO PROFUNDAS AS LÁGRIMAS, até que a própria culpa caiu.

Foi como se as lágrimas, de tantas dores, lavassem aquele sentimento que me cortava por dentro. 

 

Acordei a tempo de saber que aquela dor, nunca foi minha. 

Mas, durante anos carreguei esse fardo que não era meu. Pois, sempre fui livre!


Culpa por não casar,

Culpa por não gerar,

Culpa por não ter o cabelo liso,

Culpa por não ter o corpo perfeito,

Culpa por não aceitar que me tratem de qualquer jeito,

Culpa por não saber se gosto só de homens,

Culpa por envelhecer,

Culpa...

Culpa...

Culpa...

Seu antídoto, o autoconhecimento, para separar aquilo que não pertence a mim. 



 

  Poesia autoral de @thais.alessandra_ (Thaís Alessandra)  

                        CULPA (2022) - Publicada na Coletânea O LIVRO DAS MARIAS IV: FEMININO VESTIDO DE FÉ.

Não divulgue sem mencionar os créditos! 
Sujeito as penas da Lei 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais) 

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

ÁGUAS QUE TRANSPIRAM DOS NOSSOS CORPOS ANCESTRAIS

 Poesia autoral de THAIS ALESSANDRA (IG @thais.alessandra_)

Coletânea Mulheres das Águas II. Organização de Nágila Oliveira dos Santos da Revista África e Africanidades

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As águas de Gaia, minha mãe terra,  correm dentro de nós,  descem do céu para limpar a terra, em todos os cantos.
E, (pre)enchem os nossos rios para nós. As águas de Gaia, enchem os oceanos  e também percorrem por nossos corpos ancestrais,  denunciando abusos que traficaram navios negreiros da África para nós, denunciando abusos ao transpirarem dos nossos corpos ancestrais, denunciando abusos que também saíram das bacias do rio Negro e Xingu, devastando a crença indígena, os ensinamentos dos mais velhos e ancestrais,  denunciando abusos dos garimpos ilegais, trazendo resíduos do mercúrio para nós. As águas que percorrem em nossos corpos são ancestrais!  Essas águas resistiram ao tempo, e atravessaram mares e rios de dores em nós. Essas águas escorreram de nossos poros, encheram os nossos olhos e denunciaram a marca de onde viemos, delataram a nossa identidade e foram aprisionadas pelos nossos colonizadores. E, por mais que se tente fluir como as correntezas de um rio, essas águas não conseguem sair com liberdade.   Águas que dão vida a nossos corpos ancestrais!